Ainda a propósito desta máquina maravilhosa que é nosso cérebro (tema tratado no post anterior, Brainet, eu e você,você e eu), recebi uma mensagem em arquivo pps que é show de bola. Gostei muito de ver uma pessoa idosa não apenas tão lúcida, mas tão viva, tão plena de si e tão brilhante. Aos 96 anos, a Dra. Rita Levi-Montalcini, prêmio nobel de medicina em 1986, minha xará, rsrsrs, deu uma entrevista maravilhosa. Acima coloquei um vídeo de uma entrevista dela próxima aos 100 anos. Ainda vive, aos 102, que benção!
Veja algumas frases da nobel:
A razão é filha da imperfeição.
A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a de seu desenvolvimento cognitivo.
(O que você faria se tivesse 20 anos?) Mas eu estou fazendo!!!
Muita gente se aposenta e se abandona e isso mata o cérebro.
Meu cérebro vai viver um século, mas não conhece a senilidade. O corpo enruga, não posso evitar, mas não o cérebro.
Recomendo manter o cérebro ativo, curioso, com empenho e paixões. (Assim se viverá mais?) Viverá melhor os anos que vive.
Quando li a matéria publicada no caderno de Ciência do Globo de hoje, não resisti. Afinal, que canal melhor para falar de ‘brainet’, comunicação direta de um cérebro para outro, do que a própria net, em um espaço aberto a nossos pensamentos? No meu tempo de menina pequena lá em Barbacena isso era coisa para o Uri Geller (aquele que dizia entortar talheres e consertar relógios), lembra? Mas agora é assunto das altas rodas de neurocientistas. Dizem essas boas línguas que a neuroengenharia está se aproximando rapidamente da habilidade de conectar dois cérebros, ou mesmo vários, uns aos outros. Já pensou?
Não é parapsicologia, que eu também acho ‘Duca’ e morro de inveja de quem tem esse poder, dom, seja lá o que for, é ciência mesmo. A comunicação se daria por atividade elétrica cerebral, o mesmo princípio que já torna possível para o ator do inesquecível super-homem mover um cursor, por exemplo.
Em breve vestes robóticas permitirão a tetraplégicos andarem, quem sofre de mal de Parkinson não vai mais tremer e muitos outros avanços importantes acontecerão na medicina e em outras ciências.
O entrevistado da matéria, Miguel Nicolelis, que a propósito será uma das estrelas da Flip, em Parati, a meu ver, só deu uma bola fora. Abre aspas: É claro que isso não significa o fim do contato físico, até porque a nossa biologia exige isto, inclusive para a liberação de hormônios essenciais, fecha aspas. Gente, cá pra nós, esse cara deve ser muito ruim de cama”. Fui.
Gente, amanhã é meu niver. Acho uma data feliz comemorar nossa vida e também boa oportunidade para refletir o que estamos fazendo dela, além de recebermos o carinho dos nossos queridos, é claro. Sei que na turma do yoga vai ter bolinho, aqui em casa no café da manhã também. Daqui a 3 anos planejo uma festa onde, espero, possa contar com a presença de muitos de vocês. A conferir.
Engraçado que falando em celebrar a vida, me emocionou muito o filme que assisti na terça, “Cinco dias sem Nora”. Uma produção mexicana de primeira. O tema era a morte, na verdade o suicídio planejado, com direito a cartinhas diversas, jantares em família etc. Comovente. Lembrou-me “A partida”, filme japonês que também fala da morte, mas da morte ao acaso. Tão sensível e profundo quanto belo e inocente.
Hoje gosto de falar da morte, parece que me ajuda a aceitar, a entender. Ela já não é o bicho de sete cabeças que foi há alguns anos. Creio que sempre será dolorosa quando atinge quem a gente ama ou a gente mesmo, caso saibamos por antecipação, mas essa certeza é também tranquilizadora e nos impulsiona a viver plenamente todos os momentos com que somos presenteados.
Tento aprender com o pensamento do Dalai Lama que segue, pra gente refletir e mudar. Beijos no coração.
“... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Desde que o celular passou a ser que nem celulite, preocupei-me com a questão da saúde, porque já circulavam rumores de que seria cancerígeno devido à radiação emitida. Mas essa semana a polêmica ganhou ares oficiais sendo até chamada de capa do Globo e vários outros jornais. E olha que para sair batendo em uma indústria tão poderosa é que a coisa deve ser muito feia mesmo.
Já não conseguimos imaginar nossa vida sem o celular, não é mesmo? É tão prático, nos faz sentir mais seguros, com a possibilidade de achar qualquer um a tempo e a hora, mas o preço pode ser alto demais.
Por isso, queridos, sugiro que tentemos diminuir ao máximo o uso do aparelho. O que não for preciso falar naquele instante, falemos depois, pelo fixo. Ainda não há um tempo de uso considerado seguro, mas sugere-se um máximo de 30 minutos diários. Além disso, é prudente manter o aparelho sem contato com nosso corpo (não leve no bolso), usar headsets ou fones de ouvido, sempre que possível mandar SMS, manter o aparelho desligado à noite ou pelo menos longe da mesinha de cabeceira (para quem também usa como despertador, volte aos despertadores convencionais) e bem longe das crianças. E que Deus nos proteja!
Sexta-feira agora debateremos, no Clube de Leitura Icaraí, o livro “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. O tema é a beleza, seu caráter passageiro e o que o homem está disposto a fazer para manter-se belo e jovem.
No livro, Dorian Gray, lindo jovem, é pintado por um artista renomado, Basil, e o quadro fica tão deslumbrante que Dorian se apaixona por ele próprio. Ao mesmo tempo, considera o quadro a pior coisa, uma crueldade sem tamanho porque, enquanto pessoa, envelhecerá, ficará feio, enrugado, ao passo que a tela conservará para sempre aquela beleza indelével. Dorian diz que deveria ser o contrário, o quadro deveria mostrar o passar do tempo enquanto ele permaneceria jovem. E na ficção, assim ocorre. O jovem, que até então tinha seus defeitos, mas era boa pessoa, trava amizade com outro amigo do pintor, lorde Harry, recheado de vilania. Essa convivência desperta o pior em Dorian. E por aí vai.
Muitas coisas me assustaram nessa narrativa, considerando-a possível. Listei algumas que ensejaram um excelente debate aqui em casa.
1 - Como seria nossa aparência se nosso rosto espelhasse todos os nossos defeitos? Haveria alguém bonito?
2 - Dentro desta lógica, se fosse possível melhorar para não ser tão feio, a humanidade faria essa opção ou, já que praticamente todo mundo era feio, ficava por isso mesmo?
3 – Já imaginaram transar nesse cenário? Será que teria que ser com máscara?
4 – A que corresponderia cada ‘defeito’? Uma mentira, uma verruga? Humilhação, uma espinha? Roubo, uma cicatriz? Assassinato uma deformidade?
5 - Os maus, assassinos, estupradores, pedófilos, seriam os mais feios. Mas uma pessoa, por exemplo, que ficasse confinada em um quarto a vida inteira com outra e, de repente, matasse essa outra, seria quão feia, considerando que isso seria a pior maldade a seu alcance?
6 – Quem fica com a marca de uma morte? Quem mata? Quem manda matar? Quem induz o outro ao crime? Qual seria a aparência dos presidentes de países bélicos, seus generais e soldados?
Deixo com vocês um poeminha que fiz sobre essa reflexão e espero que me brindem com a opinião de vocês.
Sonhei que nosso rosto era espelho de nossa beleza interior
Recolhi lençóis e andei de olhos fechados cobrindo espelhos
Não fui à rua, com medo de olhares alheios
Como seria o julgamento exterior?
Passei em revista os anos vividos
Ouvidos fechados, língua ferina, nariz empinado
Cabelo prosa, olhar soberbo, sorrisos contidos
E agora, o que restará do encanto forjado?
Meu primeiro mega show foi ver o Paul segunda, no Engenhão. Estava apreensiva porque ganhei dois ingressos numa promoção do Globo para pista e sabe, depois dos 40 você não quer ficar mais de 3 horas em pé. Mas era o Paul, dos Beatles...
Entusiasmada pelo comentário da Rose, minha amiga que viu o show no domingo, coloquei tênis, calça tipo legging e fui sem lenço, sem documento - o essencial no bolso do meu digníssimo. Partimos da casa de mummy, que fica perto, conseguimos pegar um táxi fácil, andamos um pouquinho para a ala sul e nem pegamos fila pra entrar. Já eram mais de 20h, só tivemos que andar feito criança naquele labirinto gigantesco que antecedia a entrada, mas nem deu pra ficar tonta. Lá dentro, surpresa, podíamos escolher tanto pista como C A D E I R A S. O que você acha?
Um conforto só, tinham ainda dezenas de cadeiras vagas. Aguardamos o Sir vendo clips maneiros e conversando. A galera estava toda na boa, no stress.
Ah, mas você quer saber do show. Pois é, às 21:29h adentrou McCartney, primeiro show no Brasil que vejo começar na hora exata. Que show. Perfeito tecnicamente, boa escolha de músicas, super elegância e simpatia do Paul, que falou várias frases em bom portugûes, puxou no S para dizer “Vocês são demaish”, esbanjou sorrisos, fez coração com as mãos sobre a cabeça, desfilou com nossa bandeira, abraçou e beijou uma meia dúzia de fãs que puderam subir no palco após o show, bisou inúmeras vezes, mostrou toda sua versatilidade nos instrumentos, tocando piano, violão, guitarra e outros instrumentos similares que eu não sei o nome. A banda dele também é ótima. O baterista é uma figuraça, tem um guitarrista gato e outro muito simpático também.
Amei a homenagem ao Jorge Harrison, amei todas as músicas dos Beatles e quase fui às lágrimas com “All the lonely people”. Essa música sempre me emociona. O céu estava lindo, me senti tão bem ali, no meio de tantos, sem estar espremida, contagiada de alegria. Só lamentei não ter levado a máquina, apesar do Claudinei ter me sugerido.
Quando pensei que nada pudesse superar aquele instante, Paul canta “Live and let die” e do palco saem fogos lindos (procurei um vídeo pra vocês verem, achei esse, vejam a partir dos 33 segundos) varando a noite, no exato instante em que a batida da música entra no auge. Sincronismo total. E quando ele passou novamente pelo mesmo trecho da música, mais fogos, no exatinho instante, nos levando a outro clímax. Demaish foi você Paul. Obrigada!
Em agradecimento também a meus queridos seguidores, o primeiro que comentar este post (e não for aqui de casa) leva inteiramente 'de grátis' o livro Pai rico, Pai pobre, de Robert Kiyosaki e Sharon Lechter.
Eu ia escrever sobre a homofobia, porque está na moda aqui no Rio. Mas não vou ceder aos apelos midiáticos nem cabraláticos porque quero falar de outra coisa. Recebo com frequência um monte de emails sobre a velhice, que recordar é viver, coisas de antigamente, pra quem tem mais de não sei quantas décadas e esse tipo de coisa.
Gente, queria avisar que eu não estou aí não. Na minha cabeça, falta muito pra chegar lá, e não tenho pressa, nenhuma pressa. Acho muito mais interessante assistir a reportagens mostrando como a longevidade galga mais e mais anos de vida com qualidade para as pessoas mundo afora. No Brasil mesmo, você sabia que a população de centenários beira os 20 mil? Não é brinquedo não. A expectativa média de vida das mulheres ronda os 77 e dos homens os 70 anos, números que a cada ano crescem.
Então eu quero é viver, aproveitar o hoje, o aqui, o agora, curtir o momento. Além do mais, cá pra nós, saudosismo pra quê? Se você está com saudades de uma comidinha à lenha, pode vir aqui em casa cozinhar; se não gosta de se comunicar pelos meios eletrônicos, manda uma cartinha que o correio ainda funciona; se quer aqueles produtos ou lojas que não existem mais, saiba que você encontra alternativa para tudo, é só procurar, se arriscar e experimentar. Porque viver, é isso.