terça-feira, 16 de julho de 2013

Santo google, filtrai por nós



Minha amiga Rose T., há um tempo atrás, fez um texto hilariante citando o Google, dizendo, entre outras pérolas, que era bem mais útil que um marido. Eu agora faço coro, exceto a parte do marido, por favor, que preciso zelar pelo meu, rsrsrs.

Hoje o Google mudou a forma de apresentação da minha caixa de entrada do gmail, colocando uma aba para principal, outra para social e uma terceira para promoções, onde entre face, twitter etc. E fica bem mais clean para eu ver os e-mails de trabalho, sem tanta distração. Oh, obrigada santo Google!

Só que eu não acredito em milagres, sei muito bem que não há almoço grátis e essa facilidade toda não é para mim nem para você, é para o Tio Sam espionar melhor, pô, eles estavam perdendo muito tempo separando nosso lixo eletrônico. Além, é claro, de facilitar para eles venderem nossas informações de consumidores aos comerciantes interessados em um mailing list estratificado.

Mas, tudo bem, eu sucumbo à comodidade. Porque liberdade, como dizia Clarice, é pouco. O que eu quero ainda não tem nome.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Relançamentos e leituras de trechos no próximo dia 18/07 às 16h no Memorial Roberto Silveira



Amigos, Gracinda Rosa, Carlos Rosa, Cristiana Seixas, Mike Sullivan, novaes/ e eu, todos amigos do Clube de Leitura Icaraí, ficaremos honrados com sua presença no evento do dia 18/07. Além de tudo, o local é muito bonito, um convite ao devaneio. Venha devanear conosco!



terça-feira, 11 de junho de 2013

Feliz Dias dos Namorados



Esse bilhete tem endereço certo
será entregue em mãos.
Pulsações à varanda
marcam a espera de ver-te breve
mais logo ainda
do que ontem.
Passemos hoje como o tempo
sem nem mesmo senti-lo presente.
Durmamos com a lua
sorrindo miúda
como quem aprova esse namoro.
E amanhã de manhã
espelhos no banheiro te esperam
em translúcidos desenhos.
São as impressões que me deixas
aqui por dentro
corações, flechas, siglas
e um baita sorriso de amor.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Abram a gaiola que lá vai o ânus


Sabe quando você está cansado das mesmas notícias dos jornais, complemente desiludido com a política, com a imprensa, com a mesmice da vida que segue quando ela podia pulsar emocionantemente todos os dias?

Pois é, acho que é muito por isso que gosto tanto de ler e poder sonhar e viajar por dentro, por fora, e acho que foi por isso também que eu fiquei um tempão sem incluir um post novo aqui (ou você pode simplesmente chamar de falta de inspiração, se não estiver nos seus dias de educação exemplar, rsrsrs)

Mas hoje não. Além da emoção que “Hotel Global” me transmite em suas páginas quase finais, fazendo dessa vida uma vida, realçando todos os gostos e cheiros e sensações – vou parar, não quero falar de livro hoje -, tem enfim uma notícia interessante que você pode ler na íntegra no link mais abaixo:

Chocolate moldado a partir de ânus de modelo causa polêmica

O que você fez? Riu? Fez cara de nojo? Arregalou os olhos de espanto? Vai, confessa. É criativo, não é mesmo? Se vai ajudar a acabar com o preconceito em torno do ânus, da relação com o ânus, eu não sei, mas talvez enseje o questionamento.

São tantos parâmetros que nos mantêm engaiolados. Precisamos pensar sobre isso, precisamos abrir as portas de cada gaiola, cair em gaiolas maiores e maiores e maiores até serem tão grandes que nem dá pra ver. Aí estaremos livres, ou mortos, ou ambas as coisas. Mas a sensação desse caminho é boa e aberta, é um convite da vida.
  



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pela verdadeira abolição



Não queria que passasse em brancas nuvens, para não perder o paradoxo, a comemoração dos 125 anos da Abolição. Mas o que representa isso afinal? Que os negros não são mais escravos? De certa forma, talvez, se considerarmos como escravo a definição que nos apresenta o Houaiss: q
ue ou aquele que, privado da liberdade, está submetido à vontade de um senhor, a quem pertence como propriedade.

O olhar histórico, porém, é impiedoso: verifique quem é maioria na população das ‘comunidades’, nos presídios, nos empregos com menores salários. Agora busque quem sobressai com mais anos de estudo, com padrão de vida melhor, com casa própria. Toda semelhança não é mera coincidência. Então me diga, a escravidão acabou?

sábado, 27 de abril de 2013

A alma humana é branca


Essa frase-título sempre interpretei com asco, mas eis que, não tendo compromisso com o erro, pelo menos não com o mesmo, passei a vê-la de forma até simpática. E pensei, num momento de devaneio poético, se não poderia ter advindo daí a expressão que depois foi usada tão vilã e preconceituosamente como mais uma forma de segregação, de apartheid ideológico, tal como ocorreu com Santos Dumont, que não previu o uso bélico dos aviões.

Me explico: diz a definição no Aurélio, segundo informado na coluna de hoje (27/04/2013) de José Castello que “Branco diz-se da impressão produzida no órgão visual pelos raios da luz não decomposta” e interpreta Castello: “o branco fala, portanto, da mistura intensa, dos mundos inseparáveis, da coabitação de contrários que designam,em resumo, a alma humana”.


Em sua coluna, José Castello não trata da questão racial, mas foi logo o que me veio à mente porque essa matéria é ainda tão doída e doidamente presente entre nós. Por coincidência, se é que isso existe, essa semana assisti a um filme em DVD emprestado por uma amiga, “Escritores da liberdade”, tratando de uma escola modelo americana que tinha sido obrigada a abrigar turmas de integração. Ou seja, na mesma classe coexistiam latinos, negros, asiáticos e todas as demais classificações estapafúrdias que os americanos fazem de seu povo. Para a sorte da turma, pegaram uma professora novata cheia de sonhos e ideais que deveriam, verdadeiramente, ter movido o programa educacional, ao invés de interesses políticos e eleitoreiros, mas isso já é outro tema.

A cor da alma, a cor da pele, que importa isso se somos todos humanos?  O branco como multicolor, como inclusivo, como o abraçaço do Caetano, isso sim me interessa.

Para acabar com poesia, curtam a beleza dessa música.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ainda posso me surpreender assim?


Acabo de ler um livro delicioso, desses que deixa aquele gosto bom de ‘puxa, ainda posso me surpreender assim?’ e que vontade de escrever ao escritor agradecendo-o pelo presente. Como ainda não descobri uma forma eficiente de comunicar-me com o além, posto que o italiano Ítalo Calvino infelizmente faleceu em 1985, falo com vocês, prezados leitores, para que não percam a pérola que ele nos deixou.


O livro chama-se Se um viajante numa noite de inverno. Curioso título, não? Quando me falaram, eu pensei tratar-se de Sê, imperativo afirmativo do verbo ser, mas não, era a conjunção condicional mesmo, e sem reticências no final da frase. Mas, lendo o livro, você vai entender - ou não -, mas com certeza vai ter enorme prazer nessa leitura singular.


Não quero dar pistas porque a surpresa faz parte do contexto e estragá-la seria de péssimo tom, mas posso adiantar que é um metalivro, escritos destinados a quem gosta e se deleita com a leitura, com a palavra, com o clima da narrativa.

Termino propondo o início de uma aventura - ou seria abertura? -, contida na página 48:
“A borda das folhas se rompe, revelando o tecido filamentoso; um fiapo sutil – dito “encaracolado” – se destaca, suave como a espuma de uma onda. Abrir uma passagem com o fio da espada na fronteira das páginas sugere segredos encerrados nas palavras: você avança na leitura como quem penetra em uma densa floresta”.