terça-feira, 11 de junho de 2013

Feliz Dias dos Namorados



Esse bilhete tem endereço certo
será entregue em mãos.
Pulsações à varanda
marcam a espera de ver-te breve
mais logo ainda
do que ontem.
Passemos hoje como o tempo
sem nem mesmo senti-lo presente.
Durmamos com a lua
sorrindo miúda
como quem aprova esse namoro.
E amanhã de manhã
espelhos no banheiro te esperam
em translúcidos desenhos.
São as impressões que me deixas
aqui por dentro
corações, flechas, siglas
e um baita sorriso de amor.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Abram a gaiola que lá vai o ânus


Sabe quando você está cansado das mesmas notícias dos jornais, complemente desiludido com a política, com a imprensa, com a mesmice da vida que segue quando ela podia pulsar emocionantemente todos os dias?

Pois é, acho que é muito por isso que gosto tanto de ler e poder sonhar e viajar por dentro, por fora, e acho que foi por isso também que eu fiquei um tempão sem incluir um post novo aqui (ou você pode simplesmente chamar de falta de inspiração, se não estiver nos seus dias de educação exemplar, rsrsrs)

Mas hoje não. Além da emoção que “Hotel Global” me transmite em suas páginas quase finais, fazendo dessa vida uma vida, realçando todos os gostos e cheiros e sensações – vou parar, não quero falar de livro hoje -, tem enfim uma notícia interessante que você pode ler na íntegra no link mais abaixo:

Chocolate moldado a partir de ânus de modelo causa polêmica

O que você fez? Riu? Fez cara de nojo? Arregalou os olhos de espanto? Vai, confessa. É criativo, não é mesmo? Se vai ajudar a acabar com o preconceito em torno do ânus, da relação com o ânus, eu não sei, mas talvez enseje o questionamento.

São tantos parâmetros que nos mantêm engaiolados. Precisamos pensar sobre isso, precisamos abrir as portas de cada gaiola, cair em gaiolas maiores e maiores e maiores até serem tão grandes que nem dá pra ver. Aí estaremos livres, ou mortos, ou ambas as coisas. Mas a sensação desse caminho é boa e aberta, é um convite da vida.
  



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Pela verdadeira abolição



Não queria que passasse em brancas nuvens, para não perder o paradoxo, a comemoração dos 125 anos da Abolição. Mas o que representa isso afinal? Que os negros não são mais escravos? De certa forma, talvez, se considerarmos como escravo a definição que nos apresenta o Houaiss: q
ue ou aquele que, privado da liberdade, está submetido à vontade de um senhor, a quem pertence como propriedade.

O olhar histórico, porém, é impiedoso: verifique quem é maioria na população das ‘comunidades’, nos presídios, nos empregos com menores salários. Agora busque quem sobressai com mais anos de estudo, com padrão de vida melhor, com casa própria. Toda semelhança não é mera coincidência. Então me diga, a escravidão acabou?

sábado, 27 de abril de 2013

A alma humana é branca


Essa frase-título sempre interpretei com asco, mas eis que, não tendo compromisso com o erro, pelo menos não com o mesmo, passei a vê-la de forma até simpática. E pensei, num momento de devaneio poético, se não poderia ter advindo daí a expressão que depois foi usada tão vilã e preconceituosamente como mais uma forma de segregação, de apartheid ideológico, tal como ocorreu com Santos Dumont, que não previu o uso bélico dos aviões.

Me explico: diz a definição no Aurélio, segundo informado na coluna de hoje (27/04/2013) de José Castello que “Branco diz-se da impressão produzida no órgão visual pelos raios da luz não decomposta” e interpreta Castello: “o branco fala, portanto, da mistura intensa, dos mundos inseparáveis, da coabitação de contrários que designam,em resumo, a alma humana”.


Em sua coluna, José Castello não trata da questão racial, mas foi logo o que me veio à mente porque essa matéria é ainda tão doída e doidamente presente entre nós. Por coincidência, se é que isso existe, essa semana assisti a um filme em DVD emprestado por uma amiga, “Escritores da liberdade”, tratando de uma escola modelo americana que tinha sido obrigada a abrigar turmas de integração. Ou seja, na mesma classe coexistiam latinos, negros, asiáticos e todas as demais classificações estapafúrdias que os americanos fazem de seu povo. Para a sorte da turma, pegaram uma professora novata cheia de sonhos e ideais que deveriam, verdadeiramente, ter movido o programa educacional, ao invés de interesses políticos e eleitoreiros, mas isso já é outro tema.

A cor da alma, a cor da pele, que importa isso se somos todos humanos?  O branco como multicolor, como inclusivo, como o abraçaço do Caetano, isso sim me interessa.

Para acabar com poesia, curtam a beleza dessa música.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ainda posso me surpreender assim?


Acabo de ler um livro delicioso, desses que deixa aquele gosto bom de ‘puxa, ainda posso me surpreender assim?’ e que vontade de escrever ao escritor agradecendo-o pelo presente. Como ainda não descobri uma forma eficiente de comunicar-me com o além, posto que o italiano Ítalo Calvino infelizmente faleceu em 1985, falo com vocês, prezados leitores, para que não percam a pérola que ele nos deixou.


O livro chama-se Se um viajante numa noite de inverno. Curioso título, não? Quando me falaram, eu pensei tratar-se de Sê, imperativo afirmativo do verbo ser, mas não, era a conjunção condicional mesmo, e sem reticências no final da frase. Mas, lendo o livro, você vai entender - ou não -, mas com certeza vai ter enorme prazer nessa leitura singular.


Não quero dar pistas porque a surpresa faz parte do contexto e estragá-la seria de péssimo tom, mas posso adiantar que é um metalivro, escritos destinados a quem gosta e se deleita com a leitura, com a palavra, com o clima da narrativa.

Termino propondo o início de uma aventura - ou seria abertura? -, contida na página 48:
“A borda das folhas se rompe, revelando o tecido filamentoso; um fiapo sutil – dito “encaracolado” – se destaca, suave como a espuma de uma onda. Abrir uma passagem com o fio da espada na fronteira das páginas sugere segredos encerrados nas palavras: você avança na leitura como quem penetra em uma densa floresta”.


sábado, 23 de março de 2013

Na estrada, com Castello



Preciso homenagear a escrita de José Castello. Sou habitué de sua coluna no “Prosa”, aos sábados, mas a de hoje me deixou veramente emocionada. E isso é o que a boa arte faz, sensibiliza e devolve as gotas de humanidade que vamos perdendo na estrada ‘descastelada’.

Não teria condições de ler tudo que o Castello comenta - às vezes até ele parece que nem gosta muito do que leu, porém sua elegância ao transparecer isso como uma incerteza me seduz mesmo assim. Não importa, me sinto preenchida lendo a ele, por seus olhos que sempre alargam meus horizontes.

Feita a reverência a seu gênio poético, analítico e sedutor, passemos, pois, a coluna intitulada Auster na estrada, que parafraseei no título deste post. Paul Auster me é apresentado como um poeta denso, questionador da palavra, tentando compreender como o que nos ilumina ao mesmo tempo nos deixa na escuridão.

“Quando parares nesta estrada,
a estrada, dali em diante,
desaparecerá”


O sugestivo nome ‘Braile’, título de seu livro, mostra que a escrita nos toca, que é uma forma de expressão mais do que meramente visual. Diz José Castello em seu segundo parágrafo:

“É uma escrita ‘material’, em que o tato (contato direto com a matéria) substituiu a fluidez da visão como via de acesso à mente. Adverte-nos Auster: não importa o caminho, se visão (imagem), ou tato (corpo); quando deixamos de percorrê-lo, ele desaparece. Os poemas (e as realidades que eles descerram) não existem fora de nós, mas dentro. A realidade não é o real – não é a matéria, que sempre nos foge. Mas o modo (estilo) como o acessamos.”

Infelizmente O Globo não disponibilizou, ainda, essa coluna no jornal virtual (do contrário eu colocaria o link aqui), mas recomendo fortemente sua leitura e reflexão. Deixo com vocês mais um poema de Auster e mais uma explicação brilhante de Castello:

“Na impossibilidade das palavras,
na palavra não dita
que asfixia
eu me encontro”

“Dizendo de outra maneira: só me encontro quando silencio. Só quando me entrego à arbitrariedade do corpo e à moral de pedra da matéria, enfim sou. Contudo, ainda não sou humano. É só nesse salto à frente – avanço teimoso sobre a parte da estrada que ainda não consigo ver – que me constituo homem. Não caminhando sobre a realidade, mas caminhamos sobre nós mesmos. Fazer poesia, então, é alargar-se”.



terça-feira, 19 de março de 2013

Flashes do lançamento de Novaes/ em Niterói

Flashes do lançamento de Novaes/ em Niterói
Data: 18/03/2013
Local: Botequim Informal

Esse Clube é danado de bom!

Novaes/com Adelina e Elenir


com Angela

Angela, Rose P. e Kátia


Beth

Beth e Joana

Ceci

Cris

Dília

Dília e Niza

Dília improvisa um discurso em homenagem ao escritor

... e é eleita. Viva!!!

com a poeta Elenir

com Fátima e o escritor Carlos Rosa

os filhotes brincalhões

com a escritora Gracinda Rosa

Daniel, sobrinho de Gracinda, também esteve lá

com a menina toda prosa e poesia, Ilnea

com Joana

com Lilia e Regina, amigas da Anna mãe

com Marlie e Ilnea

euzinha imitando a pose de Dília. Gostei!

com Vera

com Vera e Ceci